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domingo, 19 de setembro de 2021

  

O capítulo 13 de Juízes narra a história fantástica de um homem de força descomunal, chamado Sansão. Ele era da tribo de Dan, filho de Manué. Novamente é dito que uma mulher estéril recebeu a visita de um anjo (Malachim), ou do próprio Javé, que anunciou que em breve ela ficaria grávida. Este anjo orientou-a para que, daquele dia em diante, não bebesse bebidas alcoólicas ou comesse comidas impuras, pois, ficaria grávida de uma criança. Também determinou que o seu cabelo não devesse “ser tocado por uma navalha”, pois esta criança seria um “nazareno de Deus” (“consagrado a Deus”) e livraria Israel das mãos dos filisteus. A mulher corre e vai dizer ao seu marido o que o anjo lhe dissera. Este recorre ao Senhor que o tal anjo, a quem ele chama de “homem de Deus”, volte e ensine o que deve ser feito a respeito do menino. O anjo aparece novamente à mulher e esta chama Manué. Na presença do anjo Manué recebe a seguinte recomendação: “Abstenha-se tua mulher de tudo o que eu lhe disse: não prove nada do que venha da videira; não beba nem vinho, nem bebida forte, nada coma que seja impuro e observe tudo o que lhe prescrevi” – Juízes 13:12-14. Manué solicita ao anjo que espere que ele lhe prepare um cabrito. O anjo, no entanto, rejeita a refeição e recomenda que ele oferte o tal cabrito ao seu Senhor, Javé. Manué, desconfiado, indaga ao ser qual seria o seu nome. O anjo então respondeu: “Por que me perguntas o meu nome? Ele é Magnífico”. Manué então oferta em holocausto o cabrito a Javé e diante das vistas do casal o anjo subiu aos céus seguindo a fumaça do holocausto. Neste momento a mulher de Manué pronuncia: “Vamos morrer seguramente, porque vimos Deus!” Para confundir ainda mais a mulher de Manué diz: “Se o Senhor nos quisesse matar, não teria aceitado de nossas mãos o holocausto e a oferta; não nos teria mostrado tudo o que vimos, nem nos teria dito o que hoje nos revelou.”

O filho prometido à estéril mulher de Manué (Zlelponith, segundo o talmude) já nasce cabeludo. Sansão (em hebraico, Shimshon, que provém da palavra shemesh, sol, pois ele traria luz e salvação para seu povo.) seria nazireu (como Samuel (1 Samuel 1.11) e João Batista (Lucas 1.13-15) ), não por ter nascido em Nazaré, na Galileia, mas sim porque seus pais tinham feito a profissão de fé dos nazarenos, que era a tradição de ofertar a Deus o seu primeiro filho. Assim, esse filho era considerado um eleito, um consagrado a Deus, e seus cabelos não podiam ser cortados. Portanto, não se deve fazer tal confusão ao ponto de afirmar que Jesus também era um nazireu (Ele era um nazareno, relativo à cidade de Nazaré, apesar de não ter nascido nesta cidade, mas sim em Belém, da Judeia.). O grande historiador judeu, Flávio Josefo também citou algo sobre o pacto do nazireado em seu livro “Guerras dos Judeus”, II. 15:1: “Aqueles que sofrem de alguma enfermidade, ou que de alguma outra maneira caem em infortúnio, costumei­ramente fazem um voto de que, por trinta dias, antes de oferecerem algum sacrifício, abster-se-ão de vinho, e de rasparem a própria cabeça.”

 A esta criança foi “dado por Deus” o dom de uma força sobrenatural que segundo o texto, provia de seus cabelos ou somente era-lhe fornecida pelo “Espírito Santo de Deus” enquanto se mantivesse obediente ao Deus dos Exércitos. Para muitos, a obrigação de não cortar os cabelos não era a condição para que Sansão obtivesse sua força descomunal, mas tão somente um preceito que um nazireu deveria cumprir. Longas tranças, em número de sete, pendiam até os seus ombros.

As narrativas sobre Sansão são repletas de episódios marcantes, espetaculares e de relatos de suas fraquezas morais. Primeiramente ele se envolve com várias mulheres não israelitas. Em Tamma deseja tomar para si uma mulher entre os filisteus, considerados impuros e não dignos, verdadeiros "bárbaros incivilizados" e inimigos declarados de Israel. No entanto, tal envolvimento seria uma orientação do deus Javé a Sansão, exatamente para provocar mais motivos para enfrentamentos entre estes povos: Juízes  14:4 “4.Seus pais não sabiam que isso se fazia por disposição do Senhor, e que ele buscava uma ocasião contra os filisteus que, naquele tempo, dominavam sobre Israel.” Nas vinhas de Tamma, Sansão enfrenta e despedaça um leão com as próprias mãos. Alguns dias depois encontra o cadáver do leão com uma colmeia repleta de mel em sua boca, do qual se farta. Esta ocorrência serviria como proposta de uma charada para os filisteus. Na festa do seu casamento com a filisteia, Sansão propõe um desafio aos seus convidados filisteus, ofertando trinta lençóis e trinta mudas de vestidos (roupas) a quem decifrasse o enigma: “Do comedor saiu comida, e doçura saiu do forte”. Os filisteus não conseguem decifrá-la e forçam a noiva de Sansão a obtê-la de seu futuro esposo. Diante da traição da sua noiva, Sansão é obrigado a pagar a promessa. Irado, Sansão vai à cidade de Ascalam e mata trinta homens para rouba-lhes as peças de roupas para pagar a dívida.  Isto ocorre sobre a intervenç

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